7. ECONOMIA E NEGCIOS 20.2.13

1. O BRASIL PRECISA SE MEXER
2. PARA FAZER BOAS COMPRAS NA INTERNET

1. O BRASIL PRECISA SE MEXER
Anncio de acordo bilateral entre os Estados Unidos e a Unio Europeia, que criar a maior zona de livre comrcio do mundo, acende o alerta para mudanas na poltica comercial brasileira
Mariana Queiroz Barboza

O discurso do presidente Barack Obama na tera-feira 12 era endereado apenas ao Congresso americano, mas acendeu sinais de alerta em diversos pases  inclusive no Brasil. Ao defender o crescimento das exportaes como pea fundamental para combater a crise, Obama exps os planos de um acordo de livre comrcio com a Unio Europeia. Se a proposta vingar, ter fora suficiente para alterar os padres do comrcio global e causar estragos nas economias dos pases emergentes. Obama quer que Estados Unidos e Unio Europeia assinem um pacto que prev a eliminao de tarifas e o fim de barreiras regulatrias entre as duas regies. Em tempos de crescimento pfio e at de risco de recesso em pases como Espanha e Itlia, o acordo aumentaria, segundo projees, a produo econmica europeia em 86 bilhes de euros por ano (ou 0,5 ponto percentual do PIB) e a americana em 65 bilhes de euros (ou 0,4 ponto percentual do PIB). Esses provveis efeitos positivos podem representar um risco para o Brasil: o de deixar de realizar negcios com as naes mais ricas do mundo e ter que se curvar s regras impostas por elas.
 
At pouco tempo atrs, o peso do Brasil no tabuleiro de foras global era irrisrio. Com o crescimento econmico dos ltimos anos, o jogo de poder se tornou mais equilibrado. Hoje, o Pas exibe marcas de respeito (tem o quarto maior mercado de carros do mundo e o terceiro de computadores), o que significa que sua influncia deixou de ser perifrica. No faz sentido, portanto, imaginar que o Pas se mantenha passivo diante de um acordo desse tipo. O Brasil ficou  margem de parcerias como o Alca (Acordo de Livre Comrcio das Amricas) e o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comrcio), mas empenhou-se para valer no Mercosul, hoje muito mais um bloco ideolgico que comercial. Agora,  hora de assumir seu protagonismo. A proposta de acordo entre Estados Unidos e Unio Europeia no  uma boa notcia para a economia brasileira, diz Jos Augusto de Castro, presidente da Associao de Comrcio Exterior do Brasil (AEB). O problema, diz o especialista,  a irrelevncia do Mercosul, bloco econmico que envolve Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. O Mercosul est voltado para dentro, e no possui acordos bilaterais significativos, afirma Castro. Os planos comerciais extrarregionais do Mercosul incluem acordos com Israel e ndia, em vigor, e com Egito e Palestina, em incorporao. O obstculo principal para o avano de negociaes  colocado na conta da Argentina. No ano passado, o pas aprovou mais de 100 barreiras protecionistas, como o aumento da tarifa de importao de bens manufaturados, e comprou uma briga com a espanhola Repsol ao expropriar a petroleira YPF. Em respeito a regras acordadas h duas dcadas, o Brasil permanece engessado dentro do Mercosul.

As negociaes para uma zona de livre comrcio entre os latinos e o Velho Continente comearam nos anos 90, quando os europeus consideravam-se autossuficientes e estavam pouco dispostos a fazer concesses. As conversas foram retomadas em 2010 num contexto diferente, de crise econmica na Europa e ascenso das economias emergentes, mas s prosperaram no Peru e na Colmbia, onde o acordo deve entrar em vigor ainda neste ano. Agora, os Estados Unidos tomaram a dianteira. O que isso significa? Para a AEB, o novo acordo proposto por Obama far os brasileiros perderem a concorrncia na Europa em commodities como soja, carne bovina, frango, suco de laranja e acar. As duas economias sempre tiveram m vontade em negociar a abertura de seus mercados no agronegcio e isso s vai piorar se o Brasil no tomar uma atitude, afirma Fbio Silveira, scio-diretor da RC Consultores.
 
O agronegcio  um dos assuntos que mais dividem os polticos americanos e europeus e deve ser um ponto delicado para a criao da zona de comrcio. Craig VanGrasstek, professor de poltica comercial na Universidade de Harvard (EUA),  ctico em relao ao novo acordo por causa das posies contrrias relativas a esse tema.  mais provvel que a proposta da zona de livre comrcio seja fragmentada em iniciativas separadas, disse  ISTO. VanGrasstek tambm acha pouco provvel que Estados Unidos e Unio Europeia concluam o plano nos prximos dois anos, conforme o previsto. Para o Brasil, o prazo de implantao no faz diferena. O importante  agir. Com um dos mercados domsticos mais dinmicos da atualidade, o Pas no pode ser mero espectador da criao da maior zona de livre comrcio global.


2. PARA FAZER BOAS COMPRAS NA INTERNET
Os sites de compras coletivas e clubes de descontos se tornaram ferramentas indispensveis para quem est em busca de bons negcios na internet. Em 2012, o faturamento do setor chegou a R$ 3 bilhes, ante R$ 1,8 bilho em 2011. A combinao de ofertas vantajosas e a praticidade da rede mundial de computadores seduziu milhares de consumidores  mas trouxe aborrecimentos. As queixas envolvem a no entrega do produto e dificuldade para o cancelamento do pedido, afirma Ftima Lemos, assessora tcnica do Procon-SP. Apesar do alto nmero de reclamaes, o setor comea a registrar mudanas. Houve uma melhora na oferta de produtos e as informaes ficaram mais claras, diz Ftima. Para o diretor da Cmara Brasileira de Comrcio Eletrnico, Gerson Rolim, a fase de maturidade dos portais de compras coletivas est em sintonia com as novas tendncias. Em breve, o comrcio eletrnico chegar a outras plataformas, como tevs inteligentes, e empresas e consumidores precisam estar instrudos para esse novo momento, afirma Rolim.

